Ao sentir dores, procure um médico para saber se são lesões adaptativas ou algum problema mais sério

Foto: Pixabay

A corrida de rua tem ganho cada vez mais adeptos, seja pela facilidade, ou pela “liberdade” que a atividade física te proporciona. Segundo a pesquisa realizada pelo Ibope, revelou que o esporte é a atividade preferida de mais de 6 milhões de pessoas que estão em busca de uma vida mais saudável. Mas praticar a atividade requer alguns cuidados.

Segundo o médico Luís Antônio Bauer, ortopedista e traumatologista do esporte do Hospital VITA, as lesões ocasionadas pela corrida de rua acontecem principalmente durante os dois primeiros anos da prática do esporte, considerada a fase inicial da atividade. “É o momento onde o atleta começa a se conhecer e a experimentar o esporte”, esclarece Bauer. Um outro momento de risco para lesões é a mudança de distâncias alvo ou mudança de rendimento, quando saímos da nossa zona de segurança.

É necessário paciência para se tornar um bom corredor, e o especialista ressalta que a incidência dos problemas causados pela atividade é maior na população feminina. Segundo ele, de acordo com a ciência, a mulher quando jovem, principalmente antes dos sete anos de idade, pratica menos atividades esportivas que o homem, gerando menos estímulo para a formação da massa muscular, resistência dos tendões e menor densidade óssea. Além disso, há o fator genético e hormonal envolvidos.

“No consultório, vemos uma incidência de lesões  maior em mulheres, acima dos 35 anos, num momento de vida mais estável, por terem um pouco mais tempo aos cuidados com a saúde e às atividades físicas”, revela. De acordo com o médico, a pessoa não deve ter pressa em melhorar seu desempenho na atividade. “É preciso respeitar a orientação de treino, não basta ter roupas e tênis apropriados e não ter um controle e acompanhamento especializado para avaliar a possibilidade e com qual frequência deve ser realizada a atividade”, explica o especialista.

​É importante destacar que ao sentir dores, procure um médico o mais rápido possível, assim, o diagnóstico te mostrará se são só dores adaptativas ou algum problema mais grave. De acordo com o profissional, a corrida de rua ocasiona lesões crônicas, as quais iniciam com uma intensidade baixa e aumentam ao longo do tempo. “É o caso das tendinites, em especial a que atinge a região lateral do quadril de glúteo e a de Aquiles. Doenças que vão sendo produzidas ao longo do tempo. Outro exemplo é a das fraturas por estresse, resultado da sequência de treinos e provas sem o descanso adequado,” ressalta.

Segundo o ortopedista, é preciso atentar também para o planejamento, fundamental para o bom resultado, sem lesões e frustrações, pois o resultado virá mais rápido e não dependendo de vários fatores, mas sem dúvida alguma o cronômetro e o pace não devem sem os principais adversários. “Acompanhando os resultados dos profissionais, vemos claramente que o rendimento ao longo do ano não é homogêneo, existem o cronômetro e o pace e as demais fazem parte do treino. Isso vale para nos amadores também”, frisa.

“Uma dica é que a pessoa pratique dois esportes, um principal e outro secundário, que sejam complementares, como por exemplo: corrida e musculação, pilates ou yoga, que auxiliam na prática da corrida de rua, fazendo com o corredor ganhe mais elasticidade, aumente a força muscular e evite o impacto nas pernas. Isso resulta na construção do corpo saudável ao longo do tempo”, destaca Bauer. Ele conta que sempre repete aos atletas: menos provas e melhores ciclos de treino, isso faz com que o atleta tenha menos chance de lesões e consiga chegar bem para a prova mais importante.  “A dor é sempre um sinal de alerta e deve ser investigada”, finaliza.

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