Prevenção de suicidio

Conhecer os indícios é o primeiro passo para a prevenção

Por: Letícia Ferreira      Foto: Shutterstock.com

O suicídio faz parte da realidade das famílias brasileiras e do mundo inteiro, todos sabemos disso, mas precisamos ficar atentos aos indícios em pessoas que estão próximas a nós. A primeira ação para prevenção e tratamento sempre é o conhecimento, o diagnóstico prévio diante de situações e pensamentos que a pessoa apresenta no cotidiano.

Atualmente, os fatores que podem estar associados ao ato suicida estão relacionados às causas ambientais, sociais, psicológicas e pré-disposição genética. “Podem estar relacionadas a quadros depressivos graves, transtornos psiquiátricos como a bipolaridade, esquizofrenia, surtos psicóticos, estrutura mental frágil e manipuladora, e também uso de drogas e álcool”, explica Marilene Kehdi, psicóloga e escritora especialista em psicossomática e atendimento clínico.

Cada caso é um caso, até porque as causas são pessoais, porém, é possível achar pontos em comum de acordo com faixas etárias. “No caso dos adolescentes o que fica evidente é que são jovens que pouco ou nada conseguem junto a sua família verbalizar o seu vazio emocional. É preciso entender que no período da adolescência a família deixa de ser a maior referência do filho e ele busca o seu grupo, a sua turma. Ocorre ainda nesta fase as mudanças físicas, hormonais, psicológicas e a busca da verdadeira identidade (inclusive a identidade sexual)”, exemplifica a psicóloga.

É nessa busca por um grupo de identificação para manter amigos, que jovens com baixa estima podem se sentir ainda mais sozinhos, ou deslocados, gerando assim um grande problema. “Por isso, nesta fase da adolescência, os pais ou responsáveis precisam estar atentos as mudanças de humor e de comportamento desses adolescentes e jovens, para intervir a tempo”, ressalta Marilene.

Sem ignorar, brigar ou criar discussões que só irão desgastar ambas partes, os pais precisam se atentar também quando os jovens criam o hábito de se automutilarem. “Denominada de violência auto dirigida, eles precisam de muita atenção, tratamento psicológico e psiquiátrico. É um comportamento que mostra que a pessoa está em sofrimento emocional e isso não pode ser ignorado de jeito nenhum pois é um passo para o suicídio”, alerta a especialista.

Com o atual quadro de crises econômicas, e o desemprego que ainda é grande no nosso país, os casos de homens mais velhos tentando se suicidar, também cresceu. “No caso dos homens mais velhos, os suicídios, estão associados também (além de outros fatores), a questões econômicas, financeiras, mal sucedidos em suas carreiras, com muitas dívidas e/ou falidos” explica a psiologa.

Pessoas que sobreviveram ao ato suicida relatam que o sofrimento emocional é tão insuportável que acreditam que só irá acabar quando derem fim na própria vida. “Os relatos de quem sobreviveu evidenciam o sofrimento emocional, os pensamentos aterrorizantes, uma vida sem sentido e sem expectativa de nada que possa trazer luz e solução na vida deles. Vivem na beira do abismo sempre querendo se jogar nele”, evidencia Marilene.

Fique atento aos indícios, não só os listados acima, mas também as oscilações de humor e pensamentos de quem está por perto. Este mês, está ocorrendo diversas ações de prevenção ao suicídio, portanto, não se desespere ou vire as costas, todos precisam um do outro para viver em sociedade.

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