relacionamento a dois

Muitas pessoas valorizam este sentimento em seus relacionamentos

Por: Letícia Ferreira      Foto: Shutterstock.com

Um relacionamento a dois é composto por diversos sentimentos, ações, reações, individualidades e outras questões que fazem o casal ter experiências únicas ao estarem juntos. O ciúme também faz parte da construção de uma vida a dois, para algumas pessoas, ele é visto como uma forma de demonstrar interesse, para outros, é fonte de brigas e conflitos.

A primeira coisa a ter em mente, segundo a especialista em terapia de casais Carla Zeglio, do Instituto Paulista de Sexualidade (InPaSex), é que: As emoções são ferramentas do nosso organismo para se mobilizar para ações que visam resolver problemas. “No caso do ciúme emocional, temos essas mobilizações frente às ameaças percebidas quanto ao relacionamento amoroso ou sexual. Diante da possibilidade de perda ou de diminuição da qualidade do relacionamento, o ciúme surge como uma possível forma de reação”, conta Carla.

É necessário saber diferenciar quando o ciúme é sobre algo real e quando é por algo presumido, inexistente. Para Oswaldo M. Rodrigues Jr., psicólogo do InPaSex, a grande questão é a intensidade do ciúme, uma vez que se ele for muito intenso, impede a adequação no relacionamento ou situação, comprometendo a vida conjugal. “Quando alguém sente ciúmes, poderá perceber que é um complexo de outras emoções que podem incluir dor, raiva, tristeza, inveja, medo, ansiedade, depressão, humilhação ou ódio. Cada um de nós aprende uma composição diferente de emoções para prevenir a possível perda”, conta Oswaldo.

O ciúme patológico, ocorre quando a pessoa, na tentativa de justificar o mal-estar sentido, culpa o seu par e formula explicações para o que sente. “E esta será uma condição que, ao contrário de proteger, tende a destruir o outro, a relação e a si mesmo”, completa Carla.

O ciúme, quando leve, pode ser construtivo para a relação por valorizar a presença do outro e nos levar a agir de forma positiva para não perder aquele relacionamento. Mas, quando patológico, o ciúme torna-se destrutivo e pode afetar o casal até mesmo fisicamente, com brigas, ofensas verbais, destruição de objetos, vingança. “A pessoa ciumenta sofre muito mais do que o objeto do seu ciúme. E ela vê na vingança a alternativa para sair do sofrimento em que pensa viver, e não atinge o resultado esperado”, diz Oswaldo.

Nessas horas, seja o ciúme emocional ou patológico, é necessário ter comunicação entre os envolvidos. Expressar os seus sentimentos e emoções sem culpabilizar ou vitimizar. A dica dos profissionais do InPaSex é estabelecer esse diálogo frequente, e se necessário contar com a ajuda de amigos, familiares, instituições religiosas e até de psicoterapia para aprenderem a comunicar os sentimentos e emoções.

A psicoterapia é uma grande aliada para ajudar o casal a se expressar emocionalmente e mostrar o que sentem de forma construtiva. “Assim, no lugar de um grupo de emoções negativas, cada um pode aprender a sentir emoções construtivas que mantêm o casal unido e com os objetivos de vida mantidos”, finaliza Carla.

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