A fibrina rica em plaquetas aumentou a retenção tecidual, a qualidade e a vascularização da gordura enxertada em comparação com o grupo controle e mostrou efeitos similares aos do plasma rico em plaquetas na retenção tecidual e na melhora histológica do enxerto

Um concentrado de plaquetas de “segunda geração” chamado fibrina rica em plaquetas (PRF) pode melhorar os resultados da lipoenxertia em procedimentos de cirurgia plástica, relata um estudo publicado no Plastic and Reconstructive Surgery®, jornal da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS).

O estudo fornece evidências preliminares de que a PRF pode levar a características mais favoráveis ​​de células de gordura transplantadas, em comparação com o plasma rico em plaquetas (PRP), concentrado de plaquetas de “primeira geração”.

Como PRF e PRP afetam o enxerto de gordura?

“A lipoenxertia autóloga, na qual as próprias células de gordura do paciente são transferidas de uma parte do corpo para outra, tornou-se uma técnica amplamente usada em muitos procedimentos estéticos e reconstrutivos. Mas enquanto os tecidos adiposos são considerados um tipo ideal de preenchimento de tecidos moles, os resultados da lipoenxertia – incluindo a retenção e a qualidade do tecido gorduroso transferido – são variáveis ​​e dependentes da técnica”, afirma o  cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada.

Para chegar a essas conclusões, os cientistas projetaram um experimento em coelhos para avaliar os efeitos do PRP e da PRF nos resultados do enxerto de gordura, em comparação com uma solução salina inativa. Ambos os concentrados de plaquetas liberam fatores de crescimento que podem promover um transplante mais efetivo das células adiposas. O plasma rico em plaquetas já está sendo usado nos enxertos de gordura, embora ainda haja um debate sobre sua eficácia.

A fibrina rica em plaquetas é um biomaterial mais novo com várias vantagens potenciais, incluindo uma preparação mais simples e sem necessidade de aditivos externos. O novo relatório é o primeiro estudo pré-clínico a comparar os efeitos do PRP com a PRF sobre os resultados da lipoenxertia.

“Enquanto os dois concentrados de plaquetas melhoraram os resultados da lipoenxertia, os experimentos mostraram algumas diferenças entre eles. Quando a PRF foi usada, quase 20% do material de enxerto de gordura foi retido, 12 semanas, após o transplante, em comparação a 9%,  com solução salina normal. Com o PRP, a retenção do enxerto foi de 13%, não significativamente diferente do que PRF ou solução salina normal”, explica Ruben Penteado.

Ambos os biomateriais melhoraram as características microscópicas da gordura transplantada: a PRF foi associada com maior integridade da gordura, enquanto o PRP foi associada com menos fibrose (tecido cicatricial) e inflamação. Tanto a PRF quanto o PRP  aumentaram a formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese), o aumento na densidade dos vasos sanguíneos foi maior com a PRF.

Uma vantagem chave da PRF pode ser o tempo de liberação prolongada de fatores de crescimento e citocinas imunorreativas, em contraste com a liberação rápida pelo PRP. A fibrina rica em plaquetas também é mais fácil de produzir, o que pode evitar algumas das variações nas preparações do PRP e a eficácia relatada em estudos anteriores.

“Os resultados mostraram que a PRF pode melhorar os resultados da lipoenxertia, mas  novos ensaios clínicos randomizados de alta qualidade serão necessários para definir e comparar os benefícios desses concentrados de plaquetas para pacientes submetidos a procedimentos de cirurgia plástica e reconstrutiva”, defende o Diretor do Centro de Medicina Integrada.